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Controle Externo em Perspectiva Histórica: de Serzedello Corrêa aos dias atuais

Encerrando o mês do Auditor de Controle Externo, compartilhamos o texto de Marcos Malcher escrito na ocasião do Dia do Auditor de Controle Externo. Convidamos a todos para essa leitura fundamental sobre o papel e a missão de quem atua na fiscalização dos recursos públicos.

Hoje é o nosso dia e não é à toa que a data carrega um peso histórico.

Em 27 de abril de 1893, o ministro da Fazenda Serzedello Corrêa entregou a sua carta de renúncia. O motivo? Recusou-se a endossar o ato do presidente Floriano Peixoto, que queria reformular a Lei Orgânica do Tribunal de Contas da União para esvaziar as prerrogativas do órgão, consideradas pelo presidente um "embaraço à marcha da administração pública".

Um ministro caiu por defender a independência do controle externo. Essa data, portanto, não é apenas uma comemoração: é um lembrete de que as ameaças à nossa independência existem desde o nascimento da nossa função.

Somos um pilar da governança pública. Nossa atuação não é burocrática. É um ato de resistência pela integridade pública.
Somos, muitas vezes, a última linha de defesa para a identificação de irregularidades que, sem o controle externo, jamais chegariam à luz.

E quem mais sente quando esse controle falha? A população mais vulnerável — aquela que depende de políticas públicas para ter saúde, educação, moradia e dignidade.
Estudar as ameaças à independência do auditor é um exercício de autoconsciência profissional. Interesses pessoais, familiaridade com o auditado, pressões internas, intimidações veladas, conflitos de interesse não declarados, todas essas ameaças existem e seguirão existindo. É inerente a atividade do Auditor, seja do setor público ou do setor privado, realidade revelada por estudos acadêmicos.

O que muda é a nossa capacidade de identificá-las e neutralizá-las. Trabalhar em conformidade com as normas não é mera formalidade: é o que mitiga riscos, protege o auditor e dá legitimidade aos nossos achados.

Mas a independência do auditor vai além do domínio técnico. Através de minha pesquisa compreendi que a independência é sustentada também por habilidades comportamentais (ceticismo profissional, controle emocional diante de pressões, postura ética no cotidiano, resistência a influências indevidas) e por habilidades relacionais (comunicação clara, escuta ativa, capacidade de conduzir entrevistas e apresentar recomendações de forma acessível e respeitosa, sem abordagens inquisitórias).


Feliz dia do Auditor de Controle Externo!!!!
Que a nossa independência seja sempre mais forte do que as pressões.

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